Sobre a tristeza

domingo, 4 de outubro de 2009 |

Não entendo o motivo de não se pode falar sobre a tristeza. Pode-se falar de tudo. Das maiores barbaridades. Pode usar drogas, se prostituir, e até mesmo cobiçar a mulher alheia. Mas não se pode, em hipótese alguma, se falar sobre as dores diárias. Nem mesmo sobre as esporádicas.

Odeio o hedonismo. Sempre odiei. Abomino a fossa constante - outro extremo insuportável. Sou uma oscilação entre alegrias e tristezas. Estou de saco cheio das amizades de bar, das vidas de orkut e dos amores virtuais. Estou em uma fase analógica. Desejo o que é concreto e ambiciono o que é alcançável. Sinto-me feliz em fazer plano que ao acordar estarão desfeitos. Tenho prazer em receber pessoas em minha casa, desde que sinta algo por elas. Cansei das pessoas pelas quais não tenho admiração. As que muito admiro estão longe. Há alguns dos novos companheiros que têm sido bastante presentes, outros morrerão quando acabar com meu MSN.

Pode-se tudo. Menos ficar triste. Pode-se amontoar roupas para lavar, pratos na pia e rancores. Pode-se exercer a hipocrisia diária de cada dia. Mas não se pode falar na tristeza. Não se dança pelo prazer de dançar - apenas para mostrar aos outros que "não estou triste". Isso é um saco. Eu sou alegre e triste ao mesmo tempo. Antíteses não se separam.

Cansei do hedonismo de feriados. Quero apenas o que me pertence. Se é que algo me pertence. Quero também alguém que me domine. Cansei de pessoas pequenas, sempre as mesmas cara e os mesmos jeitos. Mas uma coisa que não consigo largar são as alegrias da infância e as piadas internas com os amigos. Ah! as piadas internas me fazem tão bem! Isso é tão egoísta. As piadas internas são tão excludentes. Mas que importa? Importa sim. Há pessoas muito interessantes para as quais nunca olhamos, mesmo que estejam ao nosso lado.

A tristeza não me cansa. Apesar de eu preferir a alegria. É necessário ter senso de humor mesmo que seja triste. Falta de senso de humor é um defeito inaceitável.

Eu sou feliz com minha infelicidade.

4 comentários:

Anônimo disse...

Obrigada pela declaração: sei que me admira, meu bem...
Adorei a referência ao msn...rsrs
Sim, é preciso aceitar a tristeza também, ela ajuda a melhorar o coração, não acha?
As piadas internas!Sem comentários.
bjs, Mike!
Ceci

mari heinisch disse...

a tristeza é desconfortavelmente inspiradora. certas vezes necessária pra chacoalhar a vida arrastada...

e a felicidade é estéril.

(ou sou eu que estou precisando ser chacoalhanda e afastar a esterilidade da minha vida triste)

Aline disse...

ah, como me cansam "as pessoas pelas quais não tenho admiração"! beijo, Aline

Diógenes de Souza disse...

Adorei a referência às piadas internas! Que bom que voltou à ativa. Fuquei feliz de rolar a barra ate o fim para ler os posts! ;D