Sobre a artificialidade

domingo, 18 de outubro de 2009 |

"Seja o que for, seja original!". Dizia o comercial do Guaraná Antárctica. Mas que diabos é essa tal originalidade? Quase tudo é copia. A maioria não pensa; rouba idéias. Pensar tornou-se luxo. A própria universidade faz com que os alunos não pensem. Deve-se fazer apenas o que os autores dizem. Vê-se então um monte de babacas que compram tipos prontos: "Eu sou cartesiano", "aquele é capitalista com ascendente protestantes", "Morte ao capitalismo!", gritam outros enquanto tomam uma coca-cola gelada.

Tipos fáceis. Desses que se encontram em qualquer esquina. Tipos chatos. Com discursos de spray, basta apertar o botão e colocam para fora frases prontas. Há outros que dissimulam a artificialidade sob o manto de erudição: " O problema é que nessa pantomima em que vivemos há uma intangível luta de interesses. É preciso movimentar a massa. Salvemo-na mão dos religiosos. Levemos o povo a luz!". Esses são piores que os verdadeiros alienados.

Saudades dos tempos do Realismo. Boas lembranças do grande Machado. Recordações pulsantes do verme. Lírico anelídeo que me rói as carnes. Não sei de quais anjos era Augusto, mas é preciso acostumar-se a lama. Ter bastante catarro no peito para depois do beijo.

Sem fósforos e sem cigarros.

P. S. : Cansados dos tipos sofisticados, afetados, plastificados e politizados. Viva Elza!

5 comentários:

Anônimo disse...

Nossa...como faz falta a realidade, mesmo que amarga, a ironia estampada, as "pessoas cinzas normais", não as bonecas de cera com comportamento pré-determinado.
Adorei o "viva Elza", kkkkkkkkkkkkkk

beijos, amigo
Ceci

Léo Santolli * disse...

Viva Elza
foi o melhor !

Diógenes de Souza disse...

Adorei a referência aos discursos de spray. E é a definição perfeita do que esses tipinhos são: tão 'produtos' quanto qualquer outra coisa fabricável.

Aline disse...

... ê, Michel, quantas coisas poderíamos falar sobre isso! De quantas noites precisaríamos para rir do ridículo? Sociedade fast food: rápida e indigesta. beijos

Aline disse...

Acho que vou escrever sobre isto que acabei de falar: "Sociedade fast food: rápida e indigesta". bjo